Suspeita de morte de PM perguntou sobre 'veneno para matar cavalo', diz amigo em depoimento
Suspeita de morte de PM perguntou sobre 'veneno para matar cavalo', diz amigo em depoimento Quase dois meses depois, as investigações sobre a morte do policia...
Suspeita de morte de PM perguntou sobre 'veneno para matar cavalo', diz amigo em depoimento Quase dois meses depois, as investigações sobre a morte do policial militar José Maria Alexandre da Silva Júnior, de 40 anos, têm novos desdobramentos. O corpo dele foi encontrado no dia 12 de junho, com sinais de envenenamento, no apartamento da ex-companheira, a empresária Helen Kelly de Lima Pedrosa, no bairro de Boa Viagem, na Zona Sul do Recife (veja vídeo acima). A TV Globo teve acesso ao depoimento de um amigo da suspeita. Ele afirmou à polícia que Helen havia pedido uma indicação de veneno "para matar cavalo" cerca de uma semana antes da morte do policial. Além disso, a namorada do PM disse, em entrevista, que ele tinha medo dela (saiba mais abaixo). ✅ Receba no WhatsApp as notícias do g1 PE De acordo com o relato, a empresária perguntou ao amigo se ele conhecia algum lugar onde pudesse comprar veneno e disse que pretendia matar um cavalo. Segundo o depoimento, ao ser questionada por que queria o veneno, já que ela não tinha um animal, Helen teria respondido: “É coisa minha”. A testemunha também disse à polícia que, após a morte do PM, Helen afirmou que pretendia pedir a pensão pela morte de Silva Júnior e solicitou que o amigo fosse testemunha, mas ele recusou. Procurada, a defesa de Helen Kelly informou, por meio de nota, que as declarações não são verdadeiras e têm apenas a intenção de prejudicar a suspeita. Afirmou também que acredita na inocência dela e aguarda a conclusão das investigações. Helen Kelly chegou a ser presa preventivamente no dia 22 de julho, após se jogar da janela do 4º andar de um prédio para evitar a prisão e, desde então, está no Hospital da Restauração, na área central da cidade. Na sexta-feira (31), a Justiça revogou a ordem de prisão preventiva. A causa da morte de José Maria ainda não foi confirmada. Na semana passada, a perícia encontrou substâncias nas bebidas consumidas por ele e por Helen na noite em que o PM morreu. Na taça do policial, foram identificados clonazepam, um sedativo e cafeína. Já na taça da empresária, havia sibutramina, um inibidor de apetite. Em depoimento, Helen Kelly afirmou que o PM teria tentado dopá-la ao trocar as taças de energético. Ela disse que percebeu a troca por causa de uma marcação em um dos recipientes e desfez a mudança a tempo. Horas depois, José Maria foi encontrado morto. Conforme o depoimento, a empresária perguntava quais documentos e laudos seriam necessários para ficar com a maior parte da pensão de Silva Júnior e também com o seguro da motocicleta. Ainda segundo a testemunha, ela mencionava que o policial tinha uma ex-esposa e um filho, que também teriam direito aos benefícios. O amigo relatou, ainda, que Helen Kelly costumava ter um "comportamento manipulador". No depoimento, ele afirmou ter conhecimento de que "ela armava situações" para tentar prejudicar outro ex-namorado e disse que Helen solicitou medida protetiva com esse objetivo. José Maria Alexandre da Silva Júnior, de 40 anos, morreu após passar mal na casa da ex-namorada em Boa Viagem Reprodução/Instagram "Tinha medo dela" A namorada de José Maria, que pediu para não ser identificada, disse que começou o relacionamento dois meses depois que o PM acabou o namoro com Helen Kelly, no início deste ano. De acordo com ela, o policial dizia ter medo do que poderia acontecer com os dois, porque a ex continuava atrás dele. "Ele disse que nunca namorou com ela, só foi um lance. [...] Quando a gente estava junto, inclusive, uma vez ele me deu o celular e disse assim: 'ó, ela está me ligando, atende'. Eu: 'não vou atender, eu não vou me meter nisso aí', até porque ele falava que ela era perigosa e [ele] tinha medo que ela soubesse quem eu era, para ela não me fazer mal. Mas já tinha deixado ela ciente: 'eu estou em outro relacionamento e eu quero viver em paz'", afirmou. A TV Globo também teve acesso a um áudio que consta no inquérito. Na gravação, o policial fala sobre o fim do relacionamento com a empresária e demonstra preocupação. "Foi só um lance. Não tenho sentimento por ela, não, pô. Só que eu fico preocupado porque ela é capaz de muita coisa, pô. E, tipo, eu não sei o que ela é capaz de fazer comigo, né? Por isso que eu fico na minha. É feito dizia minha mãe: 'vou dar um basta de vez'", diz o PM no áudio. Outro ponto que chamou a atenção dos investigadores foi o relato de um ex-namorado da empresária, que denunciou à polícia que também teria sido dopado por ela. Helen acusou esses dois ex-namorados de violência doméstica e conseguiu a expedição de medidas protetivas contra eles. Além disso, durante os relacionamentos, os dois homens tiveram veículos roubados: um perdeu um carro e o policial militar, uma moto. A namorada de José Maria levantou a suspeita de que o roubo da motocicleta teria sido planejado pela própria empresária. "Deixaram ele só com a roupa do corpo, levaram carteira, celular, moto e o capacete. [...] Ele disse para mim: 'foi ela porque ela sabia que eu tinha as provas [da perseguição] no celular'", contou. Enquanto analisa gravações e depoimentos, a polícia tenta localizar o celular do policial militar. A namorada de Silva Júnior disse que chegou a enviar mensagens por WhatsApp depois da morte de José Maria, o que indicaria que o aparelho ainda estava funcionando. "Mandei mensagem no dia 11 de manhã. No outro dia, no dia do enterro, eu liguei, pediram para eu ligar. Eu liguei sem ser por WhatsApp, ligação normal. Chamou várias vezes e não atendeu. Mandei mensagem pelo WhatsApp também: 'amor, chegou a mensagem?'. Mas o celular não apareceu. [...] Ele tinha celular antes, que foi do assalto, em que ele tinha provas de que não tinha batido nela. De repente, ele é assaltado, levam o celular. Ele consegue um outro celular, consegue recuperar novamente as provas e, de repente, ele morre e o celular com as provas some também", afirmou. Procurada pela TV Globo, a Polícia Civil informou que as investigações seguem em andamento e só vai se pronunciar sobre o caso quando o inquérito for concluído. Relembre o caso Polícia apura morte de policial militar por envenenamento Na noite do dia 11 de junho deste ano, o policial militar José Maria Alexandre da Silva Júnior morreu após passar mal na casa da ex-namorada, Helen Kelly de Lima Pedrosa, em Boa Viagem, na Zona Sul do Recife; José Maria Alexandre da Silva Júnior, de 40 anos, teria sido envenenado, conforme o Boletim de Ocorrência do caso, ao qual o g1 teve acesso (veja vídeo acima); O cabo, conhecido como Silva Júnior, era do Regimento de Polícia Montada, a antiga cavalaria da PM; Segundo o advogado de Helen, passaram cerca de seis meses juntos e, desde março, a mulher era vítima de violência doméstica e possuía uma medida protetiva contra o policial, após episódios de agressão; O relacionamento era bastante conturbado e a defesa afirma que, apesar da decisão judicial, o PM voltou a procurá-la insistentemente, e por volta da 1h do dia do fato, foi autorizado a subir ao apartamento; Ela percebeu que o PM havia trocado as taças em que bebiam energéticos, na noite anterior à morte dele, desconfiou de envenenamento e resolveu destrocar as taças antes de beber; A Polícia Civil informou que o caso é investigado pela 3ª Delegacia de Homicídios, vinculada ao Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), como "morte a esclarecer"; No dia 22 de junho, Helen se jogou do quarto andar de um prédio para evitar ser presa, no bairro de Boa Viagem, na Zona Sul do Recife, segundo a Polícia Civil; No local, ela recebeu voz de prisão, mas pediu para trocar de roupa no quarto. Ela se jogou da janela da residência, que fica no quarto andar do edifício; Helen foi internada sob custódia policial no Hospital da Restauração, no bairro do Derby, área central do Recife. Nove dias depois, a Justiça revogou a prisão preventiva da suspeita, que segue internada na unidade. VÍDEOS: mais vistos de Pernambuco nos últimos 7 dias